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Unesco: qualificação de imigrantes no Brasil é melhor que a dos brasileiros

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Foto: Unesco / Divulgação

RIO - Com um em cada cinco estudantes de 15 anos no planeta sendo imigrante ou filho de imigrantes, o impacto do fenômeno na educação foi o tema do Relatório de Monitoramento Global da Educação 2019, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Os dados mostram que o abandono escolar é maior entre os imigrantes do que entre os nativos e que o preconceito é uma barreira na inclusão dos estrangeiros. No Brasil, o percentual de imigrantes com ensino superior é 26,9% maior do que dos nativos e, mesmo assim, ele é percebido como menos preparado para o mercado de trabalho local.

— Existe uma visão de que os imigrantes que fogem de perseguições e desastres possuem um nível inferior de educação. Isso não é verdade. Se você investiga a formação dos haitianos que vieram para o Brasil, muitos tinham ensino superior. Entre os venezuelanos, a mesma coisa. Migrar para longas distâncias é uma decisão muito difícil, geralmente quem a toma tem uma escolaridade maior — diz Rebeca Otero, coordenadora de educação da Unesco no Brasil.

É o caso de Norma Carillo, venezuelana que veio para o Brasil para fugir da crise econômica em seu país. Formada em engenharia e com experiência profissional na área, ela não conseguiu emprego no setor no Rio. Atualmente, dá aulas de espanhol.

— Tive dificuldade em arranjar emprego na minha área, mas já sabia que seria assim. Não acho que é por mal. Aqui também há uma crise. Mas também acho que existe desconhecimento. As pessoas acham que a gente não é bem preparado. — avalia Norma, que destaca a viagem solitária para o Brasil. — Consegui sair de Caracas e vir para um lugar maravilhoso como o Rio, mas a minha família não conseguiu. Eu tinha um dinheirinho guardado e decidi recomeçar minha vida aqui. Agora, estou no período de reconstrução.

Jovens vulneráveis

Se para pessoas formadas a dificuldade existe, para aqueles que ainda estão em processo de formação é ainda mais difícil. Na União Europeia, região que vive o embate da crise dos refugiados, vindos em sua maioria do Oriente Médio e da África, o abandono escolar é de 10% entre os nativos, mas de 19% entre os imigrantes. Nos países com renda per capita mais baixas, o quadro piora: somente 11% das crianças e jovens refugiadas de 5 a 17 anos estão matriculadas em instituições de ensino.

— Isso demonstra que é necessário fazer um grande esforço de políticas educacionais para receber imigrantes da educação básica à profissionalizante. É necessário pensar em quatro pilares: um programa de primeira infância; alfabetização e curso de língua para imigrantes; política de adaptação e imersão cultural; e educação financeira — pontua Rebeca Otero, da Unesco Brasil.

A educação financeira é uma maneira para imigrantes terem mais controle sobre suas finanças e pensar em empreender. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) trabalha com cursos para este público. É o caso da angolana Amélia (nome alterado), que sonha em ser modelista e iniciou, em São Paulo, formação técnica em costura. Ela conta que já aprendeu a importância de investir.

— Quero um dia ter meu próprio negócio, mas sem investimento é impossível. Sempre que vou comprar alguma coisa me lembro que tenho um sonho e que, para alcançá-lo, é preciso poupar.

Otero sublinha que os esforços indicados pelo relatório apontam para o investimento em diferentes frentes, mas que não se pode perder o foco nas crianças.

— É um grupo vulnerável. Em países com renda baixa, 75% das crianças imigrantes foram diagnosticadas com estresse pós-traumático devido ao processo de deslocamento. — analisa.

Os deslocamentos também trazem outro desafio educacional para o Brasil. Na maior parte do mundo, estudantes de área rural que migram para cidades acabam tendo uma educação mais regular, ou seja, sem interrupções, abandono e na idade certa. No Brasil, isso é diferente. No Nordeste, especialmente, 25% dos que migraram durante o ensino básico passaram a se tornar alunos irregulares. Mas entre aqueles que ficaram em seus municípios, o percentual cai para 11%.

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